Pensatempos

Orlando Figueiredo


Deixe um comentário

A (very) stupid man

Everybody is shocked (and it’s good they are) with the words spoken by an ignorant member of the European parliament creator and elected by the extreme right Polish, libertarian and Eurosceptic political party Coalition for the Renewal of the Republic – Liberty and Hope (KORWiN). His name Janusz Ryszard Korwin-Mikke.

Nevertheless, I was listening to him and thinking how stupid can a Polish still be. He was talking about the position of women in the physics Olympiad, claiming that the first Polish girl running for this contest was classified in the 800th position. Well, at least he is right in one thing – knowing physics is a synonym of intelligence and brightness of mind. And, of course, I am the right person to testify it; after all I am a physics teacher (please, do not forget to read sarcasm in this). Continuar a ler

America first

Deixe um comentário

American Psycho: this week’s cover of German magazine @DerSPIEGEL #AmericaFirst


Deixe um comentário

Impostos UBER

Deixando as trumpalhices um pouco de lado e buscando o sentido da insatisfação política de muitos, usando a UBER como instância.

No domingo passado, apanhei um UBER no aeroporto de Bruxelas para vir para casa, a cerca de 12 km do aeroporto. Ao contrário do que me aconteceu no mesmo dia um pouco mais cedo em Praga, em que o inglês da condutora do UBER era, pelo menos, tão mão quanto o meu neerlandês que tento aprender, com este condutor partilhava o francês. Rapidamente puxei a conversa para o que me interessava.

– Compensa ser condutor UBER? O dinheiro chega para viver?

A resposta que obtive não me surpreendeu.

– É difícil… nem sempre o dinheiro chega. Como sou trabalhador independente, o estado belga cobra-me 33% do que ganho para impostos.

– E acha muito?, perguntei.

– Sim, é bastante. E torna tudo mais difícil?

– E a UBER?

– A UBER?! A UBER o quê?

– Sim, a UBER. A UBER cobra-lhe 20% da tarifa que eu tenho de pagar. Façamos as contas: A aplicação da UBER disse-me que esta viagem ficaria entre os 12 € e os 18 €. Vamos supor que me vai custar 15 €, para simplificar. Destes 15 €, há 3,00 € de que não toma sequer conhecimento deles. Apesar de eu ter pago 15 € à UBER para liquidação do serviço que me está a prestar, a UBER só vai transferir para a sua conta 12 €. Por outro lado, o estado Belga irá cobrar-lhe 33% dos 12 € que recebe, o que perfaz um total de 3,96 €. Dos 15 € que dispensei, o senhor recebe 8,04 €. Se daí retirar os custos de combustível, manutenção da viatura e internet do telemóvel, realmente não lhe sobre muito. Se estimarmos estes custos em 10%, restam-lhe 7,24 € dos 15 € que paguei. Compreendo que seja difícil viver com recursos tão limitados.

– Pois…

– Mas deixe-me colocar-lhe uma segunda questão. Queixou-se do estado belga, que lhe cobra demasiado. Contudo, dos 15 € que eu despendi, a UBER ficou com 3,00 € e o estado belga com 3,96 €. Se tivermos em conta que o estado belga lhe fornece as estradas por onde conduz, um sistema de saúde e assistência na doença bastante interessante, escola gratuita para os seus filhos, segurança (policiamento…) além de um conjunto de outros serviços que não vou enumerar e que a UBER lhe fornece uma aplicação, um serviço de GPS que poderia obter gratuitamente com outra aplicação, mais a gestão de pagamentos (do cliente e ao condutor), quem acha que o está a enganar?…

… A ilusão que alimenta a falácia capaz de Brexits e Trumps, não reside apenas no mundo político. Permeia-o, porque este é permeável aos interesses neo-liberais, mas está presente na mais inocente das nossas ações quotidianas.

No domingo passado, apanhei um UBER no aeroporto de Bruxelas para vir para casa.


1 Comentário

Do direito ao voto ao direito à voz – “Against Elections”, o mais recente livro de David van Reybrouck

Against Elections: The Case for Democracy

Against Elections: The Case for Democracy

David van Reybrouck é um escritor belga, flamengo, com uma vasta obra publicada no domínio da poesia da prosa, teatro, ensaio político e histórico. Um dos seus mais recentes livros, traduzido para inglês com o nome Against Elections: The case for Democracy, discute a crise da democracia, as suas origens e apresenta diversas propostas de soluções. Estruturado em sete capítulos, I – Sintomas; II – Diagnóstico; III – Patogénese e IV – Remédios, van Reybrouck identifica a crise da legitimidade e a crise da eficiência como os principais problemas da crise da democracia.

David Van Reybrouck

David van Reybrouck, autor de Against Elections

Ao longo do livro, Reybrouck desmonta o processo eleitoral, como método de perpetuação de uma aristocracia política que apenas difere da aristocracia tradicional por não se vincular à hereditariedade. O autor mostra como, após as revoluções americana e francesa, feitas pelo povo, o poder foi tomado por uma elite economicamente favorecida que instaura as eleições como forma de perpetuação do seu poder. Afastados das urnas durante séculos, foram as lutas de classe e de género que reclamaram para as classes governadas o direito ao acesso às urnas.

Continuar a ler


Deixe um comentário

It’s football season…

The results of the UK referendum ended up to be a turn-up for the books and left the British and Northern Irish frowning wickedly at the rest of European countries. They simply took Europe for granted and didn’t care about the referendum – it’s the football season, who wants to know about a stupid referendum? No wonder last Friday, when the bomb went off on their hands, they found the EU was not such a bad companion to the point of making them go on all alone. Last Thursday, UK people didn’t give Europe a lesson of democracy. UK people gave Europe a lesson of ignorance, irresponsibility and incapability. Now, it is time to own up to the folly and work out a way to call of the disaster.


Deixe um comentário

Brexit or Europe ‘s a mess.

[Versão portuguesa disponível brevemente]

June 23 morning was the morning when Europe we awoke to a new internal order; a Europe without the UK and, maybe, even a disaggregation of the UK itself.

Personally I never really believed that the UK citizens would vote a ‘NO’ to Europe on the referendum, however, they did it. With a turnout of 72.2%, British people are divided in three groups of nearly equal size. From the 46.5 million electorates, 17.4 (51.9% of voters) have chosen to leave the Europe Union, 16.1 million (48.1% of voters) have chosen to stay within the EU and 12.9 million (27.2% of the electorate) have chosen not to choose and didn’t bother to vote.

Having watched a few spots from both campaigns, I found the ‘NO’ campaign particularly demagogic as are the speeches of Nigel Farage. Nevertheless, it seems to have worked properly.

Much have been said about the ‘NO’ voters typecast. Apparently they are older working-class people who, according to what Lisa Mckenzie wrote on The Guardian, ‘are sick of being called ignorant or racist because of their valid concerns [and to whom] the EU referendum has given […] a chance to have their say’. Although, I easily understand and sympathize with their reasons and frustration, the way they found to express their resentment will not be much of a contribution to alleviate their reputation.

The romanticized versions that the UK is giving a lesson of democracy to the EU are distressingly naïve. In fact, if there is any lesson that last Friday the UK gave to the EU and the world was a lesson of ignorance and irresponsibility. Right after the referendum results were announced, on that same morning, according to Google Trends Twitter account, the five most searched sentences were: 1. What does it mean to leave the EU?; 2. What is the EU?; 3. Which countries are in the EU?; 4. What will happen now we’ve left EU? And 5. How many countries are in the EU? Continuar a ler


Deixe um comentário

Not all cultures are equally valuable – the discussion

My former post on this blog, named “Not all cultures are equally valuable” glinted a few reactions, namely from two good friends, on facebook. I am now publishing their arguments and my answers to them. The facebook post is embed bellow.

Comment 1: Ouch… There are good Muslims and bad Muslims, good Christians and bad Christians, good Jews and bad Jews, good Buddhists and bad Buddhists, good men and bad men, good women and bad women, good Portuguese and bad Portuguese, good Belgians and bad Belgians, good Saudis and bad Saudis… I still prefer a good Saudi to a bad Belgian.

Answer to comment 1:

Not talking about individuals, but about cultures. I prefer a good Saudi to a bad Belgian, too. But I feel more comfortable living in Belgium, which has democratic laws and where you can be Muslim, Christian, Jew or atheist without the fear of facing prison. I think that the Belgian cultural background is more valuable to the construction of a better world than the Saudi culture. In fact, a good Saudi, or at least one that cares with a fair society, should be very critical of the Saudi society.
Let’s say that I am a good Portuguese and I care with fairness and equality. I must, indeed, criticise my own society. The difference between me and the Saudi is that I can do it without the fear of facing prison, suffering expulsion from my country or even losing my job. This is why I prefer Portugal (or Belgium) to Saudi Arabia. But it doesn’t mean that Portuguese (or Belgian, or European, or western) society does not need critical thinking. In fact it needs, only a different kind of criticism than Saudi Arabia needs. Continuar a ler