Pensatempos

Orlando Figueiredo


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Pequeno ensaio outonal sobre a alteridade

No meu jardim vive um sapo. Achacoso e mal-humorado, porém, bem-educado. Todos os dias me cumprimenta, em tom rezingão, à saída de casa:

– Bom-dia Sr. Orlando.

– Bom-dia Sr. Sapo.

E lá vamos, cada um à sua vida.

Hoje de manhã, quando saí de casa equipado de gabardina e guarda-chuva, lá estava o Sr. Sapo sobre a sua pedra favorita. Haviam-lhe passado os achaques e o mau-humor. Olhou-me satisfeito e, com um sorriso nos lábios (se é que os sapos tem lábios), disse:

– Bom dia Sr. Orlando. Está um lindo dia, não lhe parece?

– Bom dia Sr. Sapo. Um lindo dia deveras. Aproveite-o, Sr. Sapo, aproveite-o.

Abri o guarda-chuva e tomei o meu caminho.


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