Pensatempos

Orlando Figueiredo


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Por uma política educativa racional

O discurso da estabilidade nas políticas educativas é recorrente sempre que se muda de governo. Lá vem outro governo e tudo muda. E sim! Tem razão, quem assim contesta! De facto, na história da democracia portuguesa, esta situação tem sido uma constante. A alternância de governos entre laranjas (com variadas tonalidades de azule frequentes toques dourados) e rosas (agora um pouco mais avermelhados) sempre conduziu ao desenvolvimento de políticas educativas antagónicas, o que dificulta o estabelecimento de uma política consensual no campo educativo.

É claro que ambos os lados têm responsabilidades neste âmbito – tanto quanto eu saiba, nunca houve qualquer tentativa, por parte de qualquer partido político, de promover o diálogo e as negociações neste domínio da governação – o mesmo não se pode dizer de outros domínios governativos, como, por exemplo, o acordo com a troika ou a implementação de uma austeridade generalizada aos, já economicamente fragilizados, cidadãos portugueses. De facto, os únicos domínios da governação em que o PS e o PSD têm mostrado capacidade negocial são os da economia, na sua versão mais agressiva e desrespeitadora dos direitos de quem, com ou sem voz, os elege – naturalmente, que esta situação deixa muitos, tal como eu, com pouco espaço de manobra para apoiar os programas do PS, onde encontro, como é o caso da educação, um maior número de afinidades e reflexos (talvez as coisas estejam agora a mudar). Continuar a ler


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Ecologia e espiritualidade: do contrato social ao contrato natural

Texto publicado na revista Biosofia – n.º 42 – verão/outono 2013 (pp. 44-52)

Biosofia42

Biosofia é a revista do Centro Lusitano de Unificação Cultural
www.centrolusitano.org

Figueiredo, O. (2013). Ecologia e espiritualidade: do contrato social ao contrato natural. Biosofia, (42), 44-52.

(Os números entre < > indicam que o texto subsequente se encontra na página da revista com esse número).

<44>

As últimas décadas do século XX, animadas em boa parte pelos novos saberes de uma ciência sistémica, viram emergir uma mundividência holística, questionadora dos pressupostos hegemónicos que reificam o mundo não humano e alienam a espécie humana das suas origens. Além dos desenvolvimentos do conhecimento científico, outras formas de olhar mundo, como é o caso do pensamento budista ou do movimento ecologia profunda, miscigenam-se ao pensamento ocidental e contribuem para a emergência de novos paradigmas, que questionam as formas organizadoras instaladas. Esta reflexão propõe a desconstrução da centralidade antrópica, através de uma análise histórica vista a partir do interior do pensamento ocidental e do contributo de outras formas de olhar e pensar o mundo, e aponta caminhos para a edificação de uma sociedade mais igualitária, onde indivíduos, espécies e ecossistemas sejam reconhecidos como entidades de pleno direito com quem partilhamos o Universo e não como objetos utilitários que apenas servem para satisfazer os caprichos humanos. Ironicamente, parece ser necessário rejeitar o antropocentrismo para salvar a humanidade de si mesma. Continuar a ler


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Ken Robinson: Como escapar ao Vale da Morte educacional

O verdadeiro papel de liderança na educação — e penso que isto é verdade a nível nacional, a nível estatal, a nível de escola — não é e não deve ser o comando e controlo. O verdadeiro papel da liderança é o controlo do clima, criando um clima de possibilidades. E se o fizerem, as pessoas vão estar à altura e vão atingir coisas que não antecipavam e não podiam esperar.


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Professores, manifestações, greves e exames: afinal o que queremos da escola?

A manifestação de professores que ontem ocorreu (e na qual participei) reuniu cerca de 50 000 professores, desceu a Avenida da Liberdade do Marquês até aos Restauradores e foi notícia de abertura de telejornais em todos os canais generalistas. A polémica está no ar com o país dividido entre os que compreendem e apoiam os professores apesar dos possíveis problemas associados a realização de exames na próxima segunda-feira e os que demonizam os professores (e demais funcionários públicos) e os consideram culpados de todos os males do mundo. Tristemente, subjacente a todos estes discursos, está a demagogia e a hipocrisia de quem está, sobretudo, preocupado não com a educação dos portugueses, mas com a sua certificação. A data escolhida pelos sindicatos dos professores para fazer greve foi inteligentemente cirúrgica. Greve às avaliações e aos exames é uma forma mediática de luta que gera entropia suficiente nas escolas para deixar Crato com os cabelos em pé.

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Sebastianismos

Santana Castilho é o novo D. Sebastião dos professores. Oportunista e demagogo, como sempre foi, os seus escritos deixam transparecer mais o ressentimento de a sua pessoa ter sido preterida a favor do Cratino atual ministro, que uma preocupação honesta e sincera com uma educação pública, crítica e livre. Deem-lhe oportunidade e terão uma deceção tão grande quanto a que o Crato trouxe com os seus argumentos falaciosos do rigor e da exigência.
Como diz Henry Giroux, só teremos uma educação de excelência quando todos os professores forem intelectuais críticos. Para isso, é preciso dominarem as ferramentas próprias da sua profissão; antes disso, teremos apenas proletários assalariados que papagueiam acriticamente saberes desajustados e anacrónicos da nossa realidade.
Como disse o poeta, “É a hora!”. É a hora de os professores se emanciparem. Peguemos nos livros de pedagogia crítica, de construtivismo, de história e sociologia da educação e façamos desta epistemologia o senso-comum dos profissionais da educação.
Se o Portugal de hoje é nevoeiro, dissipemo-lo por via da cultura e da intelectualidade. Em que outra profissão pode isto ser mais verdade?

Chega de sebastianismo. Mãos à obra!

Santana Castilho


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Construtivismo crítico, de Joe Kincheloe

Os professores que têm acesso à teoria construtivista crítica, por exemplo, são capacitados para colocar questões tipicamente ignoradas acerca dos propósitos sociopolíticos do ensino. Num contexto teórico crítico, podem discernir mais claramente o modo como a educação opera para reproduzir ou desafiar as estruturas sociopolíticas e económicas dominantes. Entendimentos teóricos desta natureza são profundamente importantes em termos de aprender a pensar, a ensinar, e a viver democraticamente. O propósito educativo não pode ser dissociado da justiça social, libertação humana [e animal], autodireção, resistência à regulação, edificação da comunidade, formas mais profundas de interligação humana e luta pela liberdade. Quando os educadores fracassam na aquisição destes quadros teóricos, as escolas tornam-se, inexoravelmente, máquinas de seleção para a nova ordem cooperativa […]. Sem tais modos informados de atribuição de significados, as escolas tendem a reforçar as estruturas patriarcais, práticas educativas eurocêntricas, a homofobia […], o racismo [e o especismo]. A luta pela alma da educação na América do Norte [, assim como na Europa e em Portugal,] está a ser travada no caminho que se perfila ante de nós. O construtivismo crítico ajuda-nos a compreender os passos que aqueles que manuseiam o poder dominante definiram para criar um sistema educativo que beneficia os mais privilegiados em detrimento daqueles que são marginalizados  por questões de raça, classe, género e sexualidade.

In Kincheloe, J. L. (2006). Construtivismo crítico. Mangualde: Edições Pedago. (p. 18).


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1.º Seminário Internacional Pensamento Crítico na Educação

O Centro de Investigação “Didática e Tecnologia na Formação de Formadores” (CIDTFF) da Universidade de Aveiro vai realizar o primeiro seminário sobre pensamento Pensamento Crítico na Educação em Ciência.

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A finalidade deste seminário é: analisar e discutir a investigação e formação que tem sido realizada sobre o Pensamento Crítico em Portugal e outros países; estabelecer uma agenda de investigação e formação na área; construir uma rede de investigadores e formadores sobre o Pensamento Crítico na Educação.

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São destinatários deste seminário todos os que têm realizado investigação, formação ou pretendem iniciar ou aprofundar a reflexão ou investigação sobre o Pensamento Crítico na Educação: docentes, professores/educadores, formadores e investigadores de todos os ciclos de ensino (do Pré-escolar ao Ensino Superior), e de áreas disciplinares diferentes, como as Línguas, as Ciências Naturais e Físico-Químicas.

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