Pensatempos

Orlando Figueiredo


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Reportagem sobre a vinda de Denys Rinpoché a Portugal de 24 a 27 de abril de 2014

Denys Rinpoché é um dos principais herdeiros espirituais de Kyabjé Kalou Rinpoché, um dos maiores mestres do budismo tibetano do século XX. A sua dupla formação universitária, em França e de Lama na tradição tibetana, associada a longos retiros ióguicos, fazem dele um ensinante capaz de transmitir os ensinamentos orientais numa perspetiva ocidental atual. Co-fundador da União Budista Europeia, da qual foi presidente durante vários anos, é o Diretor da Comunidade Rimay, o mestre e a fonte dos seus ensinamentos e transmissões. Com inúmeras iniciativas e projetos por todo o mundo, há mais de trinta anos que trabalha em prol dos valores humanos fundamentais, da cooperação inter-tradições e da harmonia ecológica. Transmite, atualmente, os ensinamentos da Consciência plena / Atenção plena, segundo o protocolo MBFT (Mindfulness Based Fondamental Therapy), do qual é fundador e principal ensinante.
Durante a sua estadia em Portugal, em abril útimo, tive oportunidade de colaborar com uma entrevista para o programa Caminhos (RTP 2). Fica aqui a reportagem.


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A cela

Excerto de uma carta de Nelson Mandela a Winnie Mandela escrita na prisão de Kroonstad, datada de 1 de Fevereiro de 1975.

In Mandela, N. (2010). Nelson Mandela: arquivo íntimo. Lisboa: Objectiva. (pp. 211-2).


… a cela é o lugar ideal para nos conhecermos a nós próprios, para aprofundarmos de forma realista e regular os processos da nossa mente e dos nossos sentimentos. Ao avaliarmos a nossa evolução enquanto indivíduos tendemos a concentrar-nos em factores externos como a posição social, o poder de influência e a popularidade, a riqueza e o nível de instrução. Estes são, de facto, factores importantes para a avaliação do sucesso individual no que se refere a aspectos materiais e é perfeitamente compreensível que muitas pessoas se empenhem em alcançá-los. Existem no entanto factores internos que podem ser ainda mais decisivos na avaliação de uma pessoa enquanto ser humano: a honestidade, a sinceridade, a simplicidade, a humildade, a generosidade, a ausência de vaidade, a disponibilidade para ajudar os outros – qualidades ao alcance de todas as almas – constituem os alicerces da vida espiritual de cada um de nós. A evolução em matérias desta natureza é impensável sem uma introspecção séria, sem nos conhecermos a nós próprios, sem conhecermos as nossas fraquezas e os nossos erros. No mínimo, se não nos der mais nada, a cela proporciona-nos a oportunidade de  analisarmos todos os dias a nossa conduta na sua globalidade, de ultrapassarmos o que mau houver em nós e desenvolvermos o que possamos ter de bom. A meditação frequente, nem que seja durante 15 minutos por dia antes de adormecer, pode ser muito proveitosa a este respeito. No início pode parecer-nos difícil identificar os aspectos negativos da nossa vida, mas com perseverança este exercício poderá revelar-se altamente compensador. Não devemos esquecer que um santo é um pecador que não cessa de se esforçar.