Pensatempos

Orlando Figueiredo


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Patria

Spot publicitário do salão erótico de Barcelona 2016 – http://saloneroticodebarcelona.com

Vivimos en un país asquerosamente hipócrita, pero algunos no nos rendimos


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A Rapariga Dinamarquesa

Lili Elbe – Elbe, como o rio que deixa da República Checa e atravessa a Alemanha para se afogar no Mar do Norte – é um ícone do movimento de emancipação transexual. Lili foi o primeiro transexual masculino a submeter-se, na Europa dos anos 1920, a uma operação de mudança de sexo. Não encontrando forças para vencer as complicações resultantes da segunda operação, Lili Elbe sucumbiu ao sonho que não podia deixar de viver.

Com quatro nomeações para Óscares em 2016 (entre as quais a de melhor ator principal: Eddie Redmayne e melhor atriz secundária: Alicia Vikander) o filme The Danish Girl ou A Rapariga Dinamarquesa, baseado no romance de David Ebershoff, conta a história de como Einar Wegener se transforma em Lili Elbe.

O filme é delicioso.

A fotografia, a beleza dos diálogos, as interpretações, são elementos primordiais na composição de uma atmosfera que deixa transparecer uma felicidade suave, sóbria, naturalista, todavia penetrante, desta bela história de amor.

Mas tudo isto seria nada, sem a capacidade sedutora de Eddie Redmayne. Lili e Einar são capazes de despertar paixões simultaneamente suaves e sóbrias, agâmicas e sexuadas, platónicas e libidinosas.

São duas horas de amor eterno, porque, já o sabemos, enquanto dura, o amor é para sempre.


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Coadoção: mais um triste episódio protagonizado pelos deputados da maioria PSD/CDS

Original, publicado no dia 16 de março no website do PAN, disponível aqui.

Esta semana, os portugueses assistiram a mais um triste episódio protagonizado pela maioria PSD/CDS. A hipocrisia dos nossos representantes fizeram hoje de Portugal uma país mais triste e injusto, com o chumbo da proposta de lei da coadoção. Depois dos episódios lamentáveis protagonizados por Hugo Soares e seus cúmplices, a única saída airosa que o parlamento podia almejar era a aprovação pouco ruidosa do projecto apresentado pela bancada socialista. Contudo, não foi isso que aconteceu, há duas leituras a fazer e ambas se localizam no contexto da ética.

A primeira, relacionada com o respeito pela igualdade de direitos de todos os cidadãos independentemente da sua orientação sexual e pelos direitos das crianças filhas de casais homoparentais, denota a ignorância obtusa ou a intencionalidade cruel dos deputados que votaram contra, confiando mais nos seus preconceitos e ideologias medievais, que nos conhecimentos veiculados pelo estado da arte científico e legitimados pelo Tribunal Internacional dos Direitos Humanos; a segunda, relacionada com a forma vil e obscura como determinados setores das bancadas dos partidos do governo têm agido, denota o quão desprezável e indignificante se tornou, para alguns, o exercício da atividade política. Continuar a ler


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Vergonha Par(a)lamentar

Hoje os portugueses tiveram oportunidade de ficar a conhecer melhor o Parlamento da República onde vivem. As consequência de elegermos pessoas sem qualquer sentido de cidadania para nos representarem na Assembleia da Republica são desastrosas. Os resultados da votação de hoje em relação à lei da co-adoção mostraram o que de pior há na política.

O que faz uma família é o amor.

O que faz uma família é o amor.

Os deputados da Assembleia da República mostraram ser homofóbicos, discriminatórios e desrespeitadores dos direitos e liberdades fundamentais de inúmeros portugueses. Adultos e crianças que, por força de uma lei injusta e anacrónica, vivem em condição familiar precária, veem a resolução do seu problema, mais uma vez, adiada. Porém, não foi apenas aos cidadãos a que os deputados faltaram ao respeito. Foi também às instituições democráticas e, em última instância, à própria democracia.

Durante meses um grupo de deputados com representantes de todos os grupos parlamentares trabalhou neste tema e, depois de se informarem e investigarem, elaboraram um projeto lei (278/XII) que foi votado e aprovado pela AR em maio de 2013. Hoje todo o trabalho deste grupo parlamentar bem como a decisão soberana da AR foram desrespeitados por um grupo de bulliers mal formados e sem qualquer sentido democrático ou de estado. Além da violação dos direitos constitucionais das famílias homoparentais e de todos os portugueses que defendem uma sociedade mais justa e igualitária, foram desrespeitados o Tribunal dos Direitos Humanos e o Conselho da Europa. E, mais importante, uma decisão soberana, feita em plena liberdade pelos mais altos representantes da população portuguesa, foi hoje revogada sem qualquer justificação a não ser a imposição a muitos de uma ideologia de poucos.

Ficámos também a saber como o PSD e o CDS-PP atuam, quando as decisões democraticamente tomadas não vão ao encontro das suas expectativas. Fazem valer a sua posição pela força revelando um total desrespeito pela democracia e pelas suas instituições. A ideologia da ditadura que imperou hoje nos acontecimentos da AR é a mesma que tem orientado a ação deste governo desde que tomou posse em 2011.

O que se passou hoje na Assembleia da República testemunha que a democracia não é um dado adquirido e que os estados democráticos só se mantêm como tal enquanto os cidadãos zelarem por isso. Se tínhamos alguma dúvida, hoje ficou claro que o que não falta nos partidos democraticamente eleitos são pessoas sem escrúpulos ansiosas por fazer valer a sua vontade e ideologia a qualquer custo. Só a fiscalização continua e a tomada de pulso frequente pelos cidadãos podem determinar a vitalidade do nosso sistema democrático. Quando, como hoje, ele começa a mostrar falhas, medidas preventivas e corretivas tem de ser tomadas de imediato. E não chegam os protestos de rua e as indignações de milhares. É preciso que nas próximas eleições a população se dirija em massa às urnas e castigue severamente os partidos que a enganam há quase quatro décadas.


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Com Papas e bolos…

Recentemente tive oportunidade de ouvir as declarações do Papa sobre os gays. As palavras foram:

Se uma pessoa é gay e busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la? O catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem. Diz que eles [os diferentes] não devem ser marginalizados por causa disso (orientação sexual) e sim que devem ser integrados à sociedade. O problema não é ter essa orientação. Precisamos ser irmãos. O problema é o lóbi por essa orientação, ou lóbis de pessoas ambiciosas, lóbis políticos, lóbis maçónicos, tantos lóbis. Esse é o pior problema.

Esta aparente abertura da igreja, por via do discurso papal, parece ter deixado satisfeita muita gente. O discurso da tolerância do Papa não mostra abertura nenhuma. De facto, apenas vem reforçar o julgamento e a discriminação que a igreja desde à séculos impõe, não em exclusividade, às pessoas LGBT. Poderia começar por perguntar o que acontece aos gays que não buscam Deus? Ou aos que não têm boa vontade? Serão esses julgáveis? Mas não quero ir por aí. Seria falacioso e inútil. Continuar a ler


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Think twice before you hate…

Homosexuality is found in over 1500 species. Homophobia is only found in one. Which one seems stupid now?


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Coadoção (isto já devia estar resolvido)

Depoimento da psicóloga Gabriela Moita sobre a coadoção.