Pensatempos

Orlando Figueiredo


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Consumo de leite – a polémica instalada

Na passada sexta-feira, no seguimento da publicação de um comunicado do PAN a criticar a posição da Direção Geral de Saúde que apelidou o leite de um super alimento, fui entrevistado pela Antena 1. Na peça, Pedro Graça, Diretor do Programa Nacional para uma Alimentação Saudável, refere razões de defesa dos direitos dos animais e ambientais para sustentar a posição do PAN. O que Pedro Graça parece não ter percebido é que os argumentos apresentados no comunicado não estão relacionados com as questões que refere, mas dizem respeito aos problemas de saúde associados ao consumo de leite e seus derivados, que uma boa parte da comunidade científica insiste em ignorar.

Apenas a título informativo deixo uma ligação para a página do PCRM – Physician Committee for Responsible Medicine, initulada Health Concerns about Dairy Products.

 A peça é da responsabilidade da jornalista Lurdes Dias.


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Da comida se faz lixo

Apenas mais uma das dimensões absurdas da cultura do consumismo. Segundo o relatório Global Food: waste not, want not, da organização britânica Institution of Mechanical Engineers, publicado nos últimos dias, cerca de 1,2 a 2 mil milhões dos  quatro mil milhões de toneladas de alimentos produzidos anualmente, correspondendo a uma faixa de 30 a 50% do total, são desperdiçados e transformados em lixo. A situação torna-se mais séria se nos recordarmos que, a par do desperdício alimentar, estão os impactes socioecológicos associados à terra ocupada, fertilizantes, pesticidas, energia e água usada no seu cultivo e o desperdício de mão de obra que retira tempo de lazer aos trabalhadores e aos consumidores, a quem cabe pagar a fatura final.

O perfil dos países desperdiçadores não é homogéneo; neles situam-se sociedades pós-industriais como os diferentes países europeus, nações emergentes com elevadas taxas de crescimento e industrialização, como a China, e países africanos que iniciaram a sua fase de industrialização recentemente, como é o caso de Angola.

Enquanto que nos países menos desenvolvidos o desperdício tende a ocorrer na produção devido a colheitas deficientes, dificuldades de transporte e falta de infraestruturas que conduzem a um mau manuseamento dos alimentos; nas sociedades pós-industriais a perda é transferida para o outro lado da linha e o desperdício ocorre mais próximo do consumidor. Com o propósito de satisfazer (virtuais) exigências dos consumidores, as cadeias de supermercados rejeitam lotes inteiros de produtos devido às suas características físicas (aparência) que em nada afetam o sabor ou o valor nutricional do alimento. Estas mesmas cadeias tendem a incentivar o consumidor a comprar mais do que necessita o que acaba por transferir o desperdício para os lares.

Ao problema não é estranha as mudanças de hábitos alimentares que conduziram a um maior consumo de produtos de origem animal com as consequências nefastas para a saúde humana, o bem-estar animal e o equilíbrio ecológico – é necessário uma maior quantidade de recursos para produzir alimentos de origem animal.

Os custos associados e este problema são parcialmente externalizados para os ecossistemas e para as gerações vindouras – entidades que, à semelhança dos animais de pecuária, não gozam de direitos legais na medida em que não vêm os seus interesses tidos em conta – mas também para a geração atual que acaba por investir o seu tempo e trabalho na produção de bens que acabam por ser desperdiçados.

O relatório Global Food: waste not, want not é somente mais um elemento para a reflexão global que urge fazer sobre o consumismo que parece não parar de crescer.

O relatório, em formato pdf, bem como uma síntese do seu conteúdo, podem ser consultado aqui: http://www.imeche.org/knowledge/themes/environment/global-food