Pensatempos

Orlando Figueiredo


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A (very) stupid man

Everybody is shocked (and it’s good they are) with the words spoken by an ignorant member of the European parliament creator and elected by the extreme right Polish, libertarian and Eurosceptic political party Coalition for the Renewal of the Republic – Liberty and Hope (KORWiN). His name Janusz Ryszard Korwin-Mikke.

Nevertheless, I was listening to him and thinking how stupid can a Polish still be. He was talking about the position of women in the physics Olympiad, claiming that the first Polish girl running for this contest was classified in the 800th position. Well, at least he is right in one thing – knowing physics is a synonym of intelligence and brightness of mind. And, of course, I am the right person to testify it; after all I am a physics teacher (please, do not forget to read sarcasm in this). Continuar a ler


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…fantasmas

Por vezes, os sonhos trazem-nos de volta pessoas que já partiram. Abraçamo-las e beijamo-las com carinho. Depois, quando acordamos, choramos um bocadinho com a mesma tristeza que chorámos quando partiram. Podem ter sido oníricos, os abraços e os beijos. Mas a dor não! Essa é tão real como o foi da outra vez, só que alargada pela saudade.


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O cúmulo do ridículo

capesChamar o cúmulo de algo ao que quer que seja é sempre um risco. Com toda a certeza, irei encontrar algo que me soará mais ridículo que a foto que hoje aqui deixo. A CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – é uma instituição governamental brasileira que tem por competência gerir a investigação científica do país. Para que tudo fique mais claro, a CAPES está para o Brasil como a FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia – está para Portugal. No passado dia 27 de julho a CAPES juntou um grupo de oração na sua sede, em Brasília, liderado por um padre católico e celebrou uma hora de missa e oração. É caso para dizer:

Pai Nosso que Estais no Céu,

A Bolsa Nossa de Cada Dia nos Dai Hoje…

O ridículo da situação é, de facto e por si só, revelador do estado politicamente e intelectualmente deplorável a que chegou o país. O desrespeito pela separação institucional entre Estado e igreja é grosseiramente violado, a promiscuidade entre uma instituição de financiamento público e gestão científica com o que de mais podre e vicioso tem a igreja católica é catastrófica e, mais grave, os brasileiros parecem lidar, de um modo geral, bem com a situação. Este é mais um resultado de um longuíssimo processo demagógico que culminou com a tomada de poder pelos radicais cristãos. É o que acontece quando as nações perdem o tino e esquecem que há mais livros publicados além da bíblia.

Lamento-o por ti, Brasil, pátria de língua partilhada.


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A morte de Klaus

A cerca de dez dias do Natal de 1938, Klaus cai doente. Não consegue articular palavra. Além da tosse, apenas um ocasional gemido rouco foge da sua boca. O seu olhar perdido no vazio denuncia o torpor provocado pela febre escaldante. Mesmo para um leigo, o diagnóstico adivinha-se fácil. O asfixiante inchaço do pescoço, os véus brancos que lhe cobrem as amígdalas e a recusa dos alimentos devido às dores e dificuldades em engolir, são sintomas claros de uma difteria. Existem tratamentos e medicamentos que lhe podem salvar a vida. Uma traqueotomia poderia levar novamente o ar aos seus pulmões. Mas, para isso, Klaus precisa de intervenção médica.

Albert, avô de Klaus, tenta convencer o seu filho a chamar um médico, mas este rejeita a sua sugestão. O divórcio que Albert impôs a Mileva, sua mãe, deixou-lhe um ressentimento capaz de alimentar o prazer mesquinho em o contrariar. Mas, esta está longe de ser a razão por que o pai de Klaus lhe recusa tratamento médico.

Mary Baker – que no final do século XIX na costa este dos estados unidos fundou a Igreja do Cristo Cientista – afirma nos seus escritos que: hoje, como no tempo de Jesus, a cura se faz pela intervenção do Príncipe Divino. Nenhum tratamento médico é necessário ou recomendado. Apenas a oração, através da dissipação da doença e do pecado da consciência humana, pode curar.

Apesar da insistência de Albert, os pais de Klaus recusam pedir a ajuda de um médico. Limitam-se a rezar. Rezam desesperadamente, sem descanso, em busca da intervenção do Príncipe Divino, que não chega.

No dia cinco de janeiro de 1939, a três meses de completar o seu sexto aniversário e sem um médico à cabeceira, morre, de ignorância, estupidez e crendice paterna, Klaus Martin Einstein.


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Pequeno ensaio outonal sobre a alteridade

No meu jardim vive um sapo. Achacoso e mal-humorado, porém, bem-educado. Todos os dias me cumprimenta, em tom rezingão, à saída de casa:

– Bom-dia Sr. Orlando.

– Bom-dia Sr. Sapo.

E lá vamos, cada um à sua vida.

Hoje de manhã, quando saí de casa equipado de gabardina e guarda-chuva, lá estava o Sr. Sapo sobre a sua pedra favorita. Haviam-lhe passado os achaques e o mau-humor. Olhou-me satisfeito e, com um sorriso nos lábios (se é que os sapos tem lábios), disse:

– Bom dia Sr. Orlando. Está um lindo dia, não lhe parece?

– Bom dia Sr. Sapo. Um lindo dia deveras. Aproveite-o, Sr. Sapo, aproveite-o.

Abri o guarda-chuva e tomei o meu caminho.


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Maneiras de dizer

Todo o conhecimento é uma maneira de dizer o mundo.


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Retalhos de uma noite de sábado.

Data: 16 de fevereiro de 2012

Cenário: Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, mais conhecido por Hospital Amadora-Sintra. Um historial de 13 anos de gestão privada transformada em entidade público-empresarial (vulgo PPP) em 2008. No átrio de entrada ostenta um orgulhoso letreiro reclamando ter sido o primeiro hospital português acreditado pelo King’s Fund.

Sintoma: Dor aguda na região lombar, que se estende até à coxa da perna direita, caracterizada por espasmos e guinadas paralisantes.

Atores: A minha mãe (a paciente com dores e 76 anos de idade) e eu (o paciente sem dores e com 45 anos de idade).

Contexto: Desde meados da semana que se queixava de uma dor na região lombar; na sexta-feira agravou-se e foi aos serviços de urgência do centro de saúde onde foi medicada depois de lhe diagnosticarem uma dor muscular. No sábado, por voltas das 19h00, fui visitá-la. Depois de me descrever o seu doer, suspeite de dor ciática. Peguei no iPhone e googlei “dor ciática”; leio a wikipédia e fico sem dúvidas. As dores não param e os movimentos estão muito limitados; optamos por ir aos serviços de urgência do hospital, afinal de contas a dor ciática não é uma doença, mas um sintoma de que algo está mal, na maioria das vezes, na coluna vertebral.

Às 20h 10m e 23s dou entrada à minha mãe na urgência do hospital, poucos minutos depois somos chamados à sala de triagem. Explicamos ao enfermeiro o que se passa e somos colocados na prioridade baixa de atendimento – pulseira verde. Voltamos para a sala de espera e consulto o quadro eletrónico para a clínica geral; tempo de espera: 4h 40m. Hum… 8h 35m da noite mais, quase, cinco horas, seremos atendidos lá para a uma da madrugada; desanimei. Olhei para a pasta e sorri; ainda bem que ando sempre com um livro atrás. Continuar a ler