Pensatempos

Orlando Figueiredo


Deixe um comentário

Vergonha Par(a)lamentar

Hoje os portugueses tiveram oportunidade de ficar a conhecer melhor o Parlamento da República onde vivem. As consequência de elegermos pessoas sem qualquer sentido de cidadania para nos representarem na Assembleia da Republica são desastrosas. Os resultados da votação de hoje em relação à lei da co-adoção mostraram o que de pior há na política.

O que faz uma família é o amor.

O que faz uma família é o amor.

Os deputados da Assembleia da República mostraram ser homofóbicos, discriminatórios e desrespeitadores dos direitos e liberdades fundamentais de inúmeros portugueses. Adultos e crianças que, por força de uma lei injusta e anacrónica, vivem em condição familiar precária, veem a resolução do seu problema, mais uma vez, adiada. Porém, não foi apenas aos cidadãos a que os deputados faltaram ao respeito. Foi também às instituições democráticas e, em última instância, à própria democracia.

Durante meses um grupo de deputados com representantes de todos os grupos parlamentares trabalhou neste tema e, depois de se informarem e investigarem, elaboraram um projeto lei (278/XII) que foi votado e aprovado pela AR em maio de 2013. Hoje todo o trabalho deste grupo parlamentar bem como a decisão soberana da AR foram desrespeitados por um grupo de bulliers mal formados e sem qualquer sentido democrático ou de estado. Além da violação dos direitos constitucionais das famílias homoparentais e de todos os portugueses que defendem uma sociedade mais justa e igualitária, foram desrespeitados o Tribunal dos Direitos Humanos e o Conselho da Europa. E, mais importante, uma decisão soberana, feita em plena liberdade pelos mais altos representantes da população portuguesa, foi hoje revogada sem qualquer justificação a não ser a imposição a muitos de uma ideologia de poucos.

Ficámos também a saber como o PSD e o CDS-PP atuam, quando as decisões democraticamente tomadas não vão ao encontro das suas expectativas. Fazem valer a sua posição pela força revelando um total desrespeito pela democracia e pelas suas instituições. A ideologia da ditadura que imperou hoje nos acontecimentos da AR é a mesma que tem orientado a ação deste governo desde que tomou posse em 2011.

O que se passou hoje na Assembleia da República testemunha que a democracia não é um dado adquirido e que os estados democráticos só se mantêm como tal enquanto os cidadãos zelarem por isso. Se tínhamos alguma dúvida, hoje ficou claro que o que não falta nos partidos democraticamente eleitos são pessoas sem escrúpulos ansiosas por fazer valer a sua vontade e ideologia a qualquer custo. Só a fiscalização continua e a tomada de pulso frequente pelos cidadãos podem determinar a vitalidade do nosso sistema democrático. Quando, como hoje, ele começa a mostrar falhas, medidas preventivas e corretivas tem de ser tomadas de imediato. E não chegam os protestos de rua e as indignações de milhares. É preciso que nas próximas eleições a população se dirija em massa às urnas e castigue severamente os partidos que a enganam há quase quatro décadas.


1 Comentário

A exploração de Eusébio antes e agora

Transcrevo de seguida um excelente texto de Nuno Domingos, publicado no jornal Público no dia 21 de Agosto de 2013, sobre o contexto sócio-político em que se construiu a estrela Eusébio. Vale a pena relê-lo agora que a caricatura de presidente que está em Belém decretou três dias de luto nacional pela morte da estrela futebolística. Se Eusébio merece algo é o reconhecimento de como o Estado Novo o usou para perpetuar a ditadura e como o novo Estado Novo (com cheiro a velho) da caricatura cavaquista usa a sua morte para dar papas e bolos aos tolos.
Saldo dos dias de Luto Nacional cavaquista.
Nobel da literatura: dois;
Estrela de futebol: três.
Ou Cavaco gosta mais de ver futebol que de ler, ou se deixa emocionar mais pelos símbolos construídos pelo Antigo Regime à custa da dignidade da pessoa humana que pelos símbolos da Liberdade e da Democracia.

Continuar a ler