Pensatempos

Orlando Figueiredo

Eurocentrismo (Science: a four thounsand year history, de Patricia Fara)

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Science: A four thousand year history

Until very recently, Eurocentrism dominated Anglo-American history of science. In wishful thinking versions of the past, science leads to Absolute Truth and moreover, it started in Europe. Now that the entire globe is electronically interlinked, science is seen as the summit of human achievement and the outcome of American/European genius, Such self-congratulation takes little account of the possibility that other cultures may have chosen other approaches to life not because their finest scholars were stupid, but because they had different opinions about what is important. In any case, more science does not necessarily produce better answers. After World War II, optimists declared that science would unify the world because – unlike religious faiths – its truth transcended national boundaries. Yet although the scientific enterprise may be global in its sweep, it has clearly failed to fulfil sanguine promises either of bringing peace or of deciphering nature’s deepest secrets.

In Fara, P. (2009). Science: A four thousand years history. Oxford: Oxford University Press. (p. 43-44).

§

Duas das muitas razões subjacentes a esta visão enviesada da ciência que ainda prevalece em muitos círculos do mundo académico, mas também do mundo empresarial e industrial, são:

(A) o esquecimento de que a ciência é um cânone epistémico culturalmente localizada e, consequentemente, ideológico e com uma agenda. Na atualidade, essa agenda é estabelecida, sobretudo, pelos interesses económicos e pelos detentores do capital. Mesmo a ciência académica, com as pressões dos rankings de publicações, sucumbe às imposições do mercado e tende a dedicar-se ao desenvolvimento de conhecimento que seja capaz de gerar benefícios económicos. A valorização da dimensão humanista do conhecimento e da reflexão enquanto necessidade básica do ser humano é desviada para segundo plano e a valorização económica do saber é a única virtude científica

e

(B) a crença na possibilidade da objetividade – parte integrante e fundamental da ideologia científica da modernidade que ainda hoje se faz sentir – e que, sem qualquer fundamento, reclama a si a razão única e última do conhecimento. A perpetuação desta convicção é particularmente lucrativa para os que pretendem controlar a ciência e os seus produtos ou, por outras palavras, para os mestres da economia da ciência. São, assim, capazes de legitimar, com base numa racionalidade obsoleta, a reificação do mundo (incluindo os humanos) que é tratado como um objeto a explorar sem quaisquer preocupações éticas.

A ciência, que se assumiu nos séculos XV, XVI e XVII, como uma atividade crítica e emancipadora que libertou a sociedade europeia da ditadura do cristianismo, deixa-se seduzir, nos séculos XIX e XX, pela cegueira do poder e transforma-se num instrumento de dominação social.

É claro que outra ciência é possível, mas tem de ser construída a partir das bases, através de uma população educada para a fazer a crítica e com um elevado nível de literacia científica, mas também, económica e social.

Autor: Orlando Figueiredo

| Professor | Investigador | Ecologista | Ativista | Aprendente do mundo |

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