Pensatempos

Orlando Figueiredo


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(re)Inventado a pólvora

Joseph Needham (1900-1995)

Joseph Needham (1900-1995) foi um cientista, historiador e sinólogo britânico, que ficou conhecido pelos estudos sobre a ciência chinesa e a sua história. Uma das mais importantes consequências do trabalho de Needham foi a desmistificação do eurocentrismo e do mito de que a ciência e os seus métodos são apanágio exclusivo da superioridade da mente europeia. O cientista refutou a origem mitológica da trilogia de inventos – imprensa, bússola e pólvora – usualmente atribuídos ao génio europeu, e mostrou que estes haviam sido inventados e usados pelos chineses antes de surgirem no contexto das sociedades europeias. Em relação à pólvora, por exemplo, Needham refere que no século IX já existiam fórmulas alquímicas chinesas para a sua preparação e que no século XII os chineses já conseguiam produzir explosivos fiáveis.

Em resposta ao seu discurso herético sobre a superioridade da cultura europeia e a sua primazia no desenvolvimento científico, os seus colegas historiadores reclamaram que a ciência chinesa não era nem superior nem anterior à europeia. Tomando como exemplo a pólvora, argumentaram que os chineses apenas a usaram para fogos de artificio e para o trabalho nas minas; porém, foi a superioridade intelectual europeia que lhe deu outros usos e inventou as armas de fogo. Continuar a ler


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Eurocentrismo (Science: a four thounsand year history, de Patricia Fara)

Science: A four thousand year history

Until very recently, Eurocentrism dominated Anglo-American history of science. In wishful thinking versions of the past, science leads to Absolute Truth and moreover, it started in Europe. Now that the entire globe is electronically interlinked, science is seen as the summit of human achievement and the outcome of American/European genius, Such self-congratulation takes little account of the possibility that other cultures may have chosen other approaches to life not because their finest scholars were stupid, but because they had different opinions about what is important. In any case, more science does not necessarily produce better answers. After World War II, optimists declared that science would unify the world because – unlike religious faiths – its truth transcended national boundaries. Yet although the scientific enterprise may be global in its sweep, it has clearly failed to fulfil sanguine promises either of bringing peace or of deciphering nature’s deepest secrets.

In Fara, P. (2009). Science: A four thousand years history. Oxford: Oxford University Press. (p. 43-44).

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Duas das muitas razões subjacentes a esta visão enviesada da ciência que ainda prevalece em muitos círculos do mundo académico, mas também do mundo empresarial e industrial, são: Continuar a ler


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Ecologia e espiritualidade: do contrato social ao contrato natural

Texto publicado na revista Biosofia – n.º 42 – verão/outono 2013 (pp. 44-52)

Biosofia42

Biosofia é a revista do Centro Lusitano de Unificação Cultural
www.centrolusitano.org

Figueiredo, O. (2013). Ecologia e espiritualidade: do contrato social ao contrato natural. Biosofia, (42), 44-52.

(Os números entre < > indicam que o texto subsequente se encontra na página da revista com esse número).

<44>

As últimas décadas do século XX, animadas em boa parte pelos novos saberes de uma ciência sistémica, viram emergir uma mundividência holística, questionadora dos pressupostos hegemónicos que reificam o mundo não humano e alienam a espécie humana das suas origens. Além dos desenvolvimentos do conhecimento científico, outras formas de olhar mundo, como é o caso do pensamento budista ou do movimento ecologia profunda, miscigenam-se ao pensamento ocidental e contribuem para a emergência de novos paradigmas, que questionam as formas organizadoras instaladas. Esta reflexão propõe a desconstrução da centralidade antrópica, através de uma análise histórica vista a partir do interior do pensamento ocidental e do contributo de outras formas de olhar e pensar o mundo, e aponta caminhos para a edificação de uma sociedade mais igualitária, onde indivíduos, espécies e ecossistemas sejam reconhecidos como entidades de pleno direito com quem partilhamos o Universo e não como objetos utilitários que apenas servem para satisfazer os caprichos humanos. Ironicamente, parece ser necessário rejeitar o antropocentrismo para salvar a humanidade de si mesma. Continuar a ler