Pensatempos

Orlando Figueiredo


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Portugal Terra

A Associação Internacional para a Documentação da Natureza – Aid Nature – é uma ONG Ambiental sem fins lucrativos, criada em Março de 2011 e cujos objetivos são produzir e divulgar documentários sobre a natureza de Portugal, dar a conhecer o património natural de Portugal​ e também dos países membros da CPLP.​​ Através dos documentários, vídeos e fotografias a missão da aid Nature é divulgar esta realidade nem sempre visível junto do maior número possível de pessoas para que discutam, critiquem e admirem a extraordinária beleza natural de Portugal. É preciso conhecer para proteger e valorizar.

Os responsáveis e fundadores deste projeto são o António Castelo e o Pedro Vasconcelos que tem produzido documentários de uma beleza rara.

O vídeo, de título Portugal Terra, mostra alguns momentos mágicos que as lentes da AidNature têm fotografado desde 2011. Uma viagem por alguns dos extraordinários encantos de Portugal.
Para apreciar o filme no seu melhor clique no botão expandir e no símbolo HD. Ficará com a tela preenchida por um vídeo em alta definição.


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As touradas da tourada, sinais de um fascismo dissimulado

Ontem, a propósito da tourada que a arrogância de uma elite, fútil e tacanhamente catolicizada, que acredita que os animais foram postos no mundo para servirem o homem, promoveu em Viana, tivemos mais um testemunho da ditadura fascistas em que o país se encontra mergulhado. Num país fascista o estado policial faz-se sentir com demasiada frequência; num país fascista, as forças de segurança servem os orwellianos porcos que triunfaram; num país fascista as leis não são iguais para todos; num país fascista a comunicação social está controlada pelas forças no poder; num país fascista quem tem armas pode exercer o poder através da opressão e das ameaças; num país fascista as pessoas que se manifestam contra os interesses instalados são oprimidas e caladas pela força e pela violência.15604997_0OdQN

Ontem tivemos tudo isto em Viana do Castelo. A elite buçal e tacanha, numa atitude provocatória e insultuosa, organiza touradas num município que as proibiu. Para mostrar o falso sucesso dessa organização, carrega todos os animais – os da arena e os das bancadas – em camionetas e transporta-os das zonas marialvas para Viana. As tias, buçais e tacanhas, gritam histéricas, frente às câmaras de televisão, que isto é uma tradição e que já os pais delas as levavam às touradas e que agora, numa clara violação dos direitos da criança, elas levam os filhos e que é tudo muito giro. Uma caricatura masculina diz que desde o século XVII que há touradas em Viana e que é bom que continuem. É a inteligência possível destas pobres criaturas de razão e coração castrados pelo ego. Mas não é disso que vou falar. Não vou rebater os argumentos (buçais e tacanhos) da tradição, nem os outros (estúpidos e ignorantes) de que o touro não sofre, que os animais são diferentes de nós… et cetera, et cetera, et cetera. Ainda menos vou discutira inteligência subjacente a esta barbárie que querem disfarçar de cultura. Sobre isto já Eduardo del Río se pronunciou de forma simples e completa: “Se houvesse um toureiro culto… não seria toureiro”.

Hoje quero escrever sobre os sinais do fascismo  sublinhando como esta elite, bem colocada junto dos ditadores que governam Portugal, a elite buçal e tacanha que conseguiu que as forças de segurança encurralassem os manifestantes, os afastassem da praça de touros, violassem as leis e ilegalmente impor a sua vontade aos manifestantes de Viana.

À semelhança do que acontece nos países fascistas, o estado policial fez-se sentir em Viana extravasando, largamente, as competências que a democracia lhe incumbe; as forças de segurança estiveram ao serviço dos porcos da elite buçal e tacanha; as forças de segurança não cumpriram as leis (a lei refere uma distância de 100 m e a polícia colocou os manifestantes a mais de 300 m); a comunicação, rendida às forças da elite buçal e tacanha, apenas mostrou parte dos acontecimentos, as pessoas foram oprimidas e os jornalistas ameaçados pela polícia (ver foto). Se estamos à espera de mais sinais de que o fascismo está de volta a Portugal, não precisamos ir longe: basta olhar para o vergonhoso, vil e oportunista comportamento dos membros do governo, dos deputados da Assembleia da República e do Presidente da República no ataque consertado ao estado social e às classes mais desfavorecidas.

O fascismo instalado não ataca somente as pessoas, ataca tudo e todos e não respeita o direito a uma vida boa de pessoas, animais ou natureza. O fascismo instalado apenas respeita o direito à Boa Vida da elite buçal e tacanha que serve. Não nos esqueçamos que, no que diz respeito às touradas, quatro dos cinco partidos com assento parlamentar mostraram-se favoráveis à sua continuação.

A grande questão é: como repor a democracia em Portugal, antes que seja tarde demais?


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68 anos depois de Hiroshima

Faz hoje 68 anos que o mundo testemunhou o horror de uma bomba atómica e das sequelas físicas, emocionais, sociais, ambientais… que daí advieram. Possamos nós ter a sabedoria de construir uma sociedade global digna e justa para todos os seres que constituem a Terra onde horrores como este não passem de uma triste lembrança do passado.

So I looked around and I saw the procession of ghostly figures. I say ghostly figures because they simply did not look like human beings. Their bodies were burned, they’re bloated, they’re swollen, skin and flesh were hanging from the bones, hair was standing up towards the sky and some people were carrying their eyeballs on their hands.

Testemunho de Setsuko Thurlow, 13 anos quando a bomba caiu em Hiroshima.

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Una parábola de Heinrich Böll

Heinrich Böll conta a seguinte historia: un turista se fija en la encantadora escena de un pescador, vestido humildemente, que sestea apoyado contra un bote de remos varado sobre la arena, en una playa esplendorosa. Lo fotografía, le ofrece un cigarrillo, entablan conversación.

Hace muy buen tiempo, seguro que hay mucha pesca, ¿qué hace usted durmiendo en lugar de salir al mar y pescar?Ya pesqué lo suficiente esta mañana.

Pero imagínese –replica el turista– que saliera al mar tres o cuatro veces al día, capturando tres o cuatro veces más pescado. Después de un año podría comprarse una lancha a motor, después de dos años outra más, después de tres años podrían ser ya uno o dos barcos de pesca de buen tamaño. ¡Imagínese! Algún tiempo después podría construir una fábrica de congelados o una planta de salazones, más adelante incluso volaría en su proprio hecótero para localizar los blancos de pesca y guiar a sus barcos hacia ellos, o quizá poseería su proia flota de camiones para llevar el pescado a la cpital, y entonces…

¿Y entónces,? –pergunta el pescador.

Entonces –culmina el turista en tono de triunfo– podría usted estar sentado tranquilamente en la playa, enchar un sueñecito al sol y contemplar la beleza del océano.

El pescador le mira:

Eso es exactamente lo que estaba haciendo antes de que usted apareciese por aquí.

In Riechmann, J. (2006). Biomímesis: Ensayos sobre la imitación de la naturaleza, ecosocialismo y autocontención. Madrid: Catarata. (pp. 120-121).