Pensatempos

Orlando Figueiredo

Software livre de código aberto – Parte 1: Seja livre, use Linux

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No rodapé da minhas mensagens de correio eletrónico segue uma mensagem bilingue, antecipada por um Tux (nome do pinguim adotado como símbolo do Linux) estilizado idêntico ao de cima, que diz o seguinte:

*Seja livre, use LINUX – Be free, use LINUX*
*Socialmente justo – Socially fair*
*Economicamente viável – Economically viable*
*Tecnologicamente sustentável – Technologically sustainable*

Na passada quarta-feira estive reunido com uma amiga que me perguntou o que era isso do LINUX que aparecia no final das minhas mensagens de email. Expliquei-lhe sumariamente, mas decidi alongar-me um pouco mais e, ao longo dos próximos artigos e partindo de cada uma das afirmações anteriores, procurarei lançar alguma luz na pertinência social da utilização do Linux e de software gratuito de código aberto em geral.

Obrigado por ter perguntado, AF.

Linux é um termo genérico para designar os sistemas operativos (SO) que usam o núcleo desenvolvido pelo finlandês Linus Trovalds, cujo código fonte está disponível sob uma licença GPL – sigla da expressão inglesa que se traduz por Licença Pública Geral. Esta licença permite que qualquer pessoa ou instituição possa usufruir de quatro liberdades em relação ao software assim disponibilizado: (1) a liberdade de correr e usar o software; (2) a liberdade de estudar, modificar e adaptar o código fonte de forma a que o software sirva as suas necessidades; (3) a liberdade de redistribuir cópias do programa (original ou alterado) sob licença GPL e (4) a liberdade de contribuir para melhorar o programa e distribuir as melhorias introduzidas. Esta licença aplica-se ao SO Linux, mas também a uma gama alargada de software gratuito de código aberto como a famosa aplicação de escritório LibreOffice ou o programa de edição de imagem Gimp.

Convém esclarecer as diferenças entre os termos gratuito e código aberto, porque é esta combinação que torna a filosofia Linux tão especial. Gratuito quer dizer isso mesmo, software disponibilizado de forma gratuita; o utilizador pode descarregar o programa, instalá-lo no seu computador e começar a utilizá-lo sem despender qualquer valor monetário. Contudo, se o código não fosse aberto a comunidade adepta do software livre não teria metade do seu encanto, nem o software metade das suas funcionalidades. O facto de o código-fonte ser disponibilizado gratuitamente permite que milhões de programadores pelo mundo fora acedam às linhas de código e o estudem e introduzam as modificações que consideram ser mais valias para o programa. Software gratuito há muito espalhado um pouco por toda a Internet e para todas as plataformas e sistemas operativos.

O programa de comunicação Skype, por exemplo, é um desses casos. É gratuito, mas não é de código aberto e, além de direitos de autor, tem proprietário. A empresa que detém o software, detém também todos os direitos sobre ele. Pode, a qualquer altura decidir cobrar a sua utilização, descontinuá-lo ou qualquer outra coisa que considere pertinente. No caso do Skype, por exemplo, recentemente adquirido pela Microsoft, o protocolo de comunicação é também software proprietário e fechado. Isso significa que todos os utilizadores do Skype estão à mercê das vontades e decisões da Microsoft. Se a empresa optar por impedir a utilização do software em território português, por exemplo, tem o direito legal de o fazer e os utilizadores portugueses nada podem fazer para o impedir; o software proprietário, gratuito ou pago, permite que aquele que detém a patente doseie o respeito pelos utilizadores na exata medida do interesse lucrativo dos seus acionistas. Se o Skype fosse software de código aberto, o seu protocolo de comunicação seria público e a empresa já não poderia impedir a sua utilização numa dada região ou país, como sugeri anteriormente. Mesmo que a empresa optasse por descontinuar o serviço a nível global, com o código aberto é sempre possível que outra instituição o use e dê continuidade ao serviço.

Algo parecido aconteceu recentemente com o OpenOffice; a Apache, entidade responsável pela sua atualização, começou a mostrar alguns sinais de abrandamento na atualização da aplicação; em consequência, alguns membros da comunidade OpenOffice formaram a The Document Foundation e iniciaram o projeto LibreOffice com os resultados que todos conhecemos.

Esta é a magia do software gratuito de código aberto é de todos e está ao serviço de todos e, porque é de todos e está ao serviço de todos, quem o usa é duplamente livre: é livre de o usar para os fins que entender e livre porque o usa de pleno direito sem que ninguém lho possa retirar.

(continua…)

Autor: Orlando Figueiredo

| Professor | Investigador | Ecologista | Ativista | Aprendente do mundo |

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