Pensatempos

Orlando Figueiredo


Deixe um comentário

Tertúlias dos Anjos

As Tertúlias dos Anjos decorrerão quinzenalmente, às 5ºas feiras, no salão do Clube Recreativo dos Anjos (Rua dos Anjos, 17), das 19-21h, visando levar à comunidade o debate sobre temas actuais, num espírito de conversa franca e informal. Pretende-se promover a informação, a formação e o despertar da consciência cívica a respeito de grandes questões da realidade nacional e do mundo contemporâneo.

Apresentamos a programação até Abril:

14 de Fevereiro

A senciência dos animais e a alteração do seu estatuto jurídico no Código Civil

– Inês Real (jurista, activista pelos direitos dos animais, fundadora e representante da Jus Animalium – Associação de Direito Animal)
– Daniela Velho (jurista)
– Paulo Borges (professor de Filosofia na Universidade de Lisboa, presidente do Partido pelos Animais e pela Natureza)


28 de Fevereiro

Participação dos cidadãos na política: para além da democracia participativa

– Carlos Miguel Sousa (ILC – Democracia Participativa)
– António Pinto (Movimento GerAções)
– Álvaro Fonseca (Movimento GerAções)


14 de Março

Ecologia superficial e ecologia profunda

– Orlando Figueiredo (professor, formador e doutorando no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, IEUL)
– Luís Humberto Teixeira (autor do livro “Verdes Anos – História do Ecologismo em Portugal (1947-2011)”)


28 de Março

A situação dos animais nos canis e gatis municipais

– Alexandra Pereira (médica veterinária municipal de Sintra e vice-presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal)
– Paula Pérez (vice-presidente do Partido pelos Animais e pela Natureza)


11 de Abril

A soberania alimentar. Soluções concretas para as cidades e para Lisboa

– Manuel Trindade (Universidade de Exeter, vogal da Direcção da Sociedade Portuguesa de Ética Ambiental)


24 de Abril (4ª feira, excepcionalmente)

A escola como espaço de emancipação intelectual

– Orlando Figueiredo (professor, formador e doutorando no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, IEUL)
– Pedro Reis (professor e sub-director do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, IEUL)


Organização: Paulo Borges, com o apoio da revista Cultura ENTRE Culturas

Entrada Livre

Rua dos Anjos, 17, Lisboa (Metro Intendente)

Veja o evento no facebook.



Deixe um comentário

Valor intrínseco e economia: da perceção da crise à crise da perceção (Parte 2/6)

Parte 1


Outra perceção comum no contexto das sociedades globalizadas e organizadas em torno das ideias da modernidade, é a de que o planeta e os recursos naturais são infinitos. As sociedades da globalização vivem na ilusão do crescimento económico infindável num planeta finito e com recursos finitos. Para manter as estruturas económicas a funcionar precisamos de taxas de crescimento elevadas (na ordem dos 5% ao ano) o que conduz a incremento do consumo dos recursos naturais, a maioria dos quais não renováveis, e por isso finitos, como é o caso dos combustíveis fósseis e dos metais.
As perceções que acabei de referir, ainda que profundamente disseminadas, são não só enviesadas por um contexto cultural muito específico como criticadas e refutadas pelas visões mais atuais ciência. O planeta é finito e muitos dos recursos que usamos não são renováveis. E não, a selva não é um local onde a selvajaria e a competição imperam; de facto as relações de simbiose sobressaem, com forte primazia e importância fundamental, nos organismos e no ecossistema. Uma selva (ou floresta, se preferir) é um complexo ecossistema resiliente que sobrevive devido às relações simbióticas de partilha entre as diferentes espécies; de forma idêntica, um organismo é o habitat de inúmeras espécies sem as quais não poderia sobreviver.
Por que razão estamos a abordar estes assuntos no contexto de um artigo sobre economia. A questão é que os discursos sociais instalados (hegemónicos), constroem a realidade onde se desenrolam os eventos sociais. Serão, com certeza, diversas, as sociedades onde se olha o mundo não humano como uma extensão da própria humanidade com valor intrínseco ou onde este é visto como um mero recurso a explorar. É neste contexto que me proponho a discutir a validade do discurso hegemónico que constrói as mundividências de senso comum e as suas consequências na organização social e económica social. Continuar a ler


Deixe um comentário

Valor intrínseco e economia: da perceção da crise à crise da perceção (Parte 1/6)

Artigo de opinião publicado no website do PAN a 3 de Agosto de 2012.

A crise tem sido um dos temas da ordem do dia nos anos mais recentes. Saber que o seu desenvolvimento se deu num contexto em que os governos e os estados-nação perdem poder face aos interesses unilaterais e ditatoriais dos mercados, conduz-nos ao questionamento da origem da crise. Se, por um lado, a reflexão sobre as formas de sair da crise económica se mostram pertinentes e inadiáveis, a compreensão do que está na origem da crise poderá ser um forte impulso no desenho destas soluções; contudo, para compreender as origens da crise teremos de discutir a mundividência que está subjacente às sociedades globalizadas onde esta se desenvolve. Esta forma particular de olhar o mundo tem as suas raízes na modernidade europeia e acentua-se com o surgimento e o desenvolvimento da revolução industrial. Associada às visões mecanicistas da ciência suportadas pela física newtoniana e pela racionalidade cartesiana, a modernidade olha o mundo como um mecanismo onde é possível, conhecendo os valores das variáveis do estado inicial, prever estados futuros concretos e objetivos. A única incerteza que daqui advém deve-se à falta de rigor dos instrumentos de medida; nunca a comportamentos inesperados do sistema ou à impossibilidade de os modelos teóricos contemplarem todas as variáveis em jogo; os modelos teóricos são tidos como uma leitura objetiva e inequívoca do real. Continuar a ler


Deixe um comentário

Um banco explicado às crianças


Deixe um comentário

Revista da OEI celebra 50 anos da publicação do livro de Thomas Kuhn “A Estrutura das Revoluções Científicas”.

O número de janeiro de 2013 da Revista Ibero-americana de Ciência Tecnologia e Sociedade, publicada pela Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura – OEI, celebra o cinquentenário da publicação do livro de Thomas Kuhn “A Estrutura das Revoluções Científicas”, a mais conhecida e revolucionária obra do autor que, pela primeira vez na história da ciência moderna, sublinha a importância da dimensão externalista nos processos de construção e validação do conhecimento científico.

The Structure of Scientific Revolution” – nome original do livro publicado em 1962 pela University of Chicago Press – refuta, definitivamente, as pretensões da ciência ser capaz de construir teorias iterativamente verdadeiras, bem como as ideias empiro-positivistas que defendem a validade do conhecimento científico em função do método de descoberta; foi Kuhn quem trouxe a Ciência para o domínio do construtivismo social. 50 anos depois, “A Estrutura das Revoluções Científicas”, a que o New York Times atribuiu a classificação de um dos 100 livros mais influentes do século XX, continua atual e pertinente e recomenda-se a sua leitura, em especial àqueles que educam em ciência. A obra foi traduzida para português pela editora Guerra e Paz.

Como refere Carina Cortassa na apresentação deste número da revista CTS, Kuhn foi, simultaneamente, o último dos clássicos e o primeiro dos revolucionários  na leitura que fez da ciência.


Deixe um comentário

Ventania

O vento sopra, irado, funesto, abalando as portadas das janelas. Cada rajada desperta na minha mente o pensamento do carbono que hoje rejeitámos para a atmosfera e no meu coração a culpa de ser humano.
E o vento que não para…


Deixe um comentário

Consumo de leite – a polémica instalada

Na passada sexta-feira, no seguimento da publicação de um comunicado do PAN a criticar a posição da Direção Geral de Saúde que apelidou o leite de um super alimento, fui entrevistado pela Antena 1. Na peça, Pedro Graça, Diretor do Programa Nacional para uma Alimentação Saudável, refere razões de defesa dos direitos dos animais e ambientais para sustentar a posição do PAN. O que Pedro Graça parece não ter percebido é que os argumentos apresentados no comunicado não estão relacionados com as questões que refere, mas dizem respeito aos problemas de saúde associados ao consumo de leite e seus derivados, que uma boa parte da comunidade científica insiste em ignorar.

Apenas a título informativo deixo uma ligação para a página do PCRM – Physician Committee for Responsible Medicine, initulada Health Concerns about Dairy Products.

 A peça é da responsabilidade da jornalista Lurdes Dias.