Pensatempos

Orlando Figueiredo

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Ecoliteracia é um termo cunhado na década de 80 do século XX pelo Professor de Estudos Políticos e Ambientais David Orr.
Decorrente da fusão das palavras ecologia e literacia, pode ser definida como literacia ecológica. No entanto, prefiro a designação de ecoliteracia por regresso ao oikos (οἶκος) grego que significa lar e família. As palavras economia e ecologia possuem a mesma raiz oikos; à primeira foi atribuído o sufixo nomo (νέμω), que significa distribuição ou gestão, e à segunda o sufixo logia (λογία) que significa estudo – o sufixo logia está patente noutras disciplinas científicas como a Biologia (estudo da vida, bios) ou a Geologia (estudo da terra, geo).

À oikosnomia  (a organização do oikos) é necessário acrescentar a ecologia (o estudo do oikos) na medida em que é preciso conhecer para gerir, e emerge — a oikosliteracia — a capacidade de compreender a oikos. Só o oikosliterato poderá assumir a oikosnomia adequada; mas como se define um cidadão ecoliterato?

O conceito de ecoliteracia que Orr defende passa pelo conceito de biofilia; a afinidade que desenvolvemos pela Vida, pela Terra, pelos Desertos e Florestas, pelos Rios e Oceanos. Nesta perspectiva, um indivíduo ecoliterato, além do saber científico e tecnológico, desenvolveu um respeito e uma afectividade com o mundo natural, que o leva a sentir-se parte integrante do mesmo ou, usando uma terminologia gaiana cunhada por James Lovelock, o indivíduo desenvolve uma percepção em que se vê a si próprio como um constituinte de Gaia.
David Orr, num artigo publicado em 1990 afirma que ser-se “ecologicamente literato requer a compreensão das dinâmicas do mundo moderno [e] uma compreensão extensa da forma como as pessoas e as sociedades como um todo se tornaram destrutivas e agressivas para o mundo natural. O indivíduo ecologicamente literato terá alguma perceção da forma  como as estruturas oficiais como a religião, a ciência, a política, a tecnologia, o patriarcado, a cultura, a agricultura, e a renitência humana, se combinam nas causas dos nossos apuros. (…) a literacia ecológica também requer uma larga familiaridade com o desenvolvimento de uma consciência ecológica” (p. 43).
Entende-se então que a literacia ecológica vai muito além da compreensão científica dos ecossistemas e envolve o desenvolvimento de valores e de afetos para com o mundo não humano. Ainda que se parta do Conhecimento, é fundamental que se chegue à Sabedoria. Talvez a capacidade de síntese de Fritjof Capra tenha resumido numa frase o essencial sobre este conceito quando afirmou que  “A sabedoria da Natureza é a essência da ecoliteracia” (Capra, 1997, p. 290).


Capra, F. (1997). The web of life. Londres: HarperCollins.

Orr, D. (1990). Environmental education and ecological literacy. Education Digest, 9(55), 49-53.

Autor: Orlando Figueiredo

| Professor | Investigador | Ecologista | Ativista | Aprendente do mundo |

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