Pensatempos

Orlando Figueiredo


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Patria

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Vivimos en un país asquerosamente hipócrita, pero algunos no nos rendimos


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…fantasmas

Por vezes, os sonhos trazem-nos de volta pessoas que já partiram. Abraçamo-las e beijamo-las com carinho. Depois, quando acordamos, choramos um bocadinho com a mesma tristeza que chorámos quando partiram. Podem ter sido oníricos, os abraços e os beijos. Mas a dor não! Essa é tão real como o foi da outra vez, só que alargada pela saudade.


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O cúmulo do ridículo

capesChamar o cúmulo de algo ao que quer que seja é sempre um risco. Com toda a certeza, irei encontrar algo que me soará mais ridículo que a foto que hoje aqui deixo. A CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – é uma instituição governamental brasileira que tem por competência gerir a investigação científica do país. Para que tudo fique mais claro, a CAPES está para o Brasil como a FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia – está para Portugal. No passado dia 27 de julho a CAPES juntou um grupo de oração na sua sede, em Brasília, liderado por um padre católico e celebrou uma hora de missa e oração. É caso para dizer:

Pai Nosso que Estais no Céu,

A Bolsa Nossa de Cada Dia nos Dai Hoje…

O ridículo da situação é, de facto e por si só, revelador do estado politicamente e intelectualmente deplorável a que chegou o país. O desrespeito pela separação institucional entre Estado e igreja é grosseiramente violado, a promiscuidade entre uma instituição de financiamento público e gestão científica com o que de mais podre e vicioso tem a igreja católica é catastrófica e, mais grave, os brasileiros parecem lidar, de um modo geral, bem com a situação. Este é mais um resultado de um longuíssimo processo demagógico que culminou com a tomada de poder pelos radicais cristãos. É o que acontece quando as nações perdem o tino e esquecem que há mais livros publicados além da bíblia.

Lamento-o por ti, Brasil, pátria de língua partilhada.


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Do direito ao voto ao direito à voz – “Against Elections”, o mais recente livro de David van Reybrouck

Against Elections: The Case for Democracy

Against Elections: The Case for Democracy

David van Reybrouck é um escritor belga, flamengo, com uma vasta obra publicada no domínio da poesia da prosa, teatro, ensaio político e histórico. Um dos seus mais recentes livros traduzidos para inglês, Against Elections: The case for Democracy, discute a crise da democracia, as suas origens e apresenta diversas propostas de soluções. Estruturado em sete capítulos, I – Sintomas; II – Diagnóstico; III – Patogénese e IV – Remédios, van Reybrouck identifica a crise da legitimidade e a crise da eficiência como os principais problemas da crise da democracia.

David Van Reybrouck

David van Reybrouck, autor de Against Elections

Ao longo do livro, Reybrouck desmonta o processo eleitoral, como método de perpetuação de uma aristocracia política que apenas difere da aristocracia tradicional por não se vincular à hereditariedade. O autor mostra como, após as revoluções americana e francesa, feitas pelo povo, o poder foi tomado por uma elite economicamente favorecida que instaura as eleições como forma de perpetuação do seu poder. Afastados das urnas durante séculos, foram as lutas de classe e de género que reclamaram para as classes governadas o direito ao acesso às urnas.

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It’s football season…

The results of the UK referendum ended up to be a turn-up for the books and left the British and Northern Irish frowning wickedly at the rest of European countries. They simply took Europe for granted and didn’t care about the referendum – it’s the football season, who wants to know about a stupid referendum? No wonder last Friday, when the bomb went off on their hands, they found the EU was not such a bad companion to the point of making them go on all alone. Last Thursday, UK people didn’t give Europe a lesson of democracy. UK people gave Europe a lesson of ignorance, irresponsibility and incapability. Now, it is time to own up to the folly and work out a way to call of the disaster.


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Brexit or Europe ‘s a mess.

[Versão portuguesa disponível brevemente]

June 23 morning was the morning when Europe we awoke to a new internal order; a Europe without the UK and, maybe, even a disaggregation of the UK itself.

Personally I never really believed that the UK citizens would vote a ‘NO’ to Europe on the referendum, however, they did it. With a turnout of 72.2%, British people are divided in three groups of nearly equal size. From the 46.5 million electorates, 17.4 (51.9% of voters) have chosen to leave the Europe Union, 16.1 million (48.1% of voters) have chosen to stay within the EU and 12.9 million (27.2% of the electorate) have chosen not to choose and didn’t bother to vote.

Having watched a few spots from both campaigns, I found the ‘NO’ campaign particularly demagogic as are the speeches of Nigel Farage. Nevertheless, it seems to have worked properly.

Much have been said about the ‘NO’ voters typecast. Apparently they are older working-class people who, according to what Lisa Mckenzie wrote on The Guardian, ‘are sick of being called ignorant or racist because of their valid concerns [and to whom] the EU referendum has given […] a chance to have their say’. Although, I easily understand and sympathize with their reasons and frustration, the way they found to express their resentment will not be much of a contribution to alleviate their reputation.

The romanticized versions that the UK is giving a lesson of democracy to the EU are distressingly naïve. In fact, if there is any lesson that last Friday the UK gave to the EU and the world was a lesson of ignorance and irresponsibility. Right after the referendum results were announced, on that same morning, according to Google Trends Twitter account, the five most searched sentences were: 1. What does it mean to leave the EU?; 2. What is the EU?; 3. Which countries are in the EU?; 4. What will happen now we’ve left EU? And 5. How many countries are in the EU? Continuar a ler


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Not all cultures are equally valuable – the discussion

My former post on this blog, named “Not all cultures are equally valuable” glinted a few reactions, namely from two good friends, on facebook. I am now publishing their arguments and my answers to them. The facebook post is embed bellow.

Comment 1: Ouch… There are good Muslims and bad Muslims, good Christians and bad Christians, good Jews and bad Jews, good Buddhists and bad Buddhists, good men and bad men, good women and bad women, good Portuguese and bad Portuguese, good Belgians and bad Belgians, good Saudis and bad Saudis… I still prefer a good Saudi to a bad Belgian.

Answer to comment 1:

Not talking about individuals, but about cultures. I prefer a good Saudi to a bad Belgian, too. But I feel more comfortable living in Belgium, which has democratic laws and where you can be Muslim, Christian, Jew or atheist without the fear of facing prison. I think that the Belgian cultural background is more valuable to the construction of a better world than the Saudi culture. In fact, a good Saudi, or at least one that cares with a fair society, should be very critical of the Saudi society.
Let’s say that I am a good Portuguese and I care with fairness and equality. I must, indeed, criticise my own society. The difference between me and the Saudi is that I can do it without the fear of facing prison, suffering expulsion from my country or even losing my job. This is why I prefer Portugal (or Belgium) to Saudi Arabia. But it doesn’t mean that Portuguese (or Belgian, or European, or western) society does not need critical thinking. In fact it needs, only a different kind of criticism than Saudi Arabia needs. Continuar a ler