Pensatempos

Orlando Figueiredo


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Eutanásia

Assunto recentemente abordado no blogue A Semente do Diabo por Lara Silva no artigo Morrer ou não morrer, eis a questão e comentado por João Ferreira Dias em O Direito e a Liberdade de Morrer, o debate sobre a eutanásia está, por via da maioria parlamentar de esquerda, de novo na ordem do dia; e ainda bem.
Por força de circunstâncias laborais, vivo em Bruxelas, na Bélgica; país onde a eutanásia foi legalizada há mais de uma década. O parlamento belga aprovou a lei da eutanásia no dia 28 de maio de 2002 e em dezembro de 2013 o senado votou e aprovou a extensão da lei a crianças com doenças terminais. Aqui e ali ouvem-se notícias (por vezes sensacionalistas) de casos que assumem contornos pouco claros e tocam a fronteira da legalidade. Contudo, são poucos, mesmo muito poucos, os casos que chegam aos meios de comunicação. Desde que a lei foi aprovada, o número de casos de eutanásia na Bélgica ronda os 1400 por ano. No último ano não me lembro de ouvir falar de mais de dois casos no Journal Télévisé, o telejornal de La Une, um dos principais canais francófonos da televisão belga. (Infelizmente, o meu neerlandês ainda não é suficiente para tirar proveito dos meios de comunicação belgas neerlandófonos, mas, no que respeita a este tema, as coisas não devem divergir muito). Continuar a ler


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Wild Geese

You do not have to be good.
You do not have to walk on your knees
for a hundred miles through the desert repenting.
You only have to let the soft animal of your body
love what it loves.
Tell me about despair, yours, and I will tell you mine.
Meanwhile the world goes on.
Meanwhile the sun and the clear pebbles of the rain
are moving across the landscapes,
over the prairies and the deep trees,
the mountains and the rivers.
Meanwhile the wild geese, high in the clean blue air,
are heading home again.
Whoever you are, no matter how lonely,
the world offers itself to your imagination,
calls to you like the wild geese, harsh and exciting
over and over announcing your place
in the family of things.

By Mary Oliver


Charlie Hebdo: one year after “L’assassin court toujours”

The Vatican newspaper announced today that the Vatican finds today’s Charlie Hebdo cartoon offensive to all religions. Well, deal with it, that’s all I have to say. Actually, I find most of the declarations from the Vatican, as well as from other religions like Judaism and Islamism, deeply offensive to all humankind.

charlie


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Feliz Natal

Parece que é época de novo, não é? Aqui fica.

Feliz Natal

Feliz Navidad – Merry Christmas – Joyeux Nöel – Zalig Kerstfeest


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Por uma política educativa racional

O discurso da estabilidade nas políticas educativas é recorrente sempre que se muda de governo. Lá vem outro governo e tudo muda. E sim! Tem razão, quem assim contesta! De facto, na história da democracia portuguesa, esta situação tem sido uma constante. A alternância de governos entre laranjas (com variadas tonalidades de azule frequentes toques dourados) e rosas (agora um pouco mais avermelhados) sempre conduziu ao desenvolvimento de políticas educativas antagónicas, o que dificulta o estabelecimento de uma política consensual no campo educativo.

É claro que ambos os lados têm responsabilidades neste âmbito – tanto quanto eu saiba, nunca houve qualquer tentativa, por parte de qualquer partido político, de promover o diálogo e as negociações neste domínio da governação – o mesmo não se pode dizer de outros domínios governativos, como, por exemplo, o acordo com a troika ou a implementação de uma austeridade generalizada aos, já economicamente fragilizados, cidadãos portugueses. De facto, os únicos domínios da governação em que o PS e o PSD têm mostrado capacidade negocial são os da economia, na sua versão mais agressiva e desrespeitadora dos direitos de quem, com ou sem voz, os elege – naturalmente, que esta situação deixa muitos, tal como eu, com pouco espaço de manobra para apoiar os programas do PS, onde encontro, como é o caso da educação, um maior número de afinidades e reflexos (talvez as coisas estejam agora a mudar). Continuar a ler


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Paix

Capturado hoje às 17h23m na Av. des Arts 26, Etterbeek – Bruxelles/Kunstlaan 26, Etterbeek – Brussel


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Uma triste ideia

O PAN parece querer deixar a sua vocação Pessoas-Animais-Natureza e tornar-se no Partido Abstencionista Nacional. Só assim se compreende a decisão de, na sua audiência com o Presidente da República, não se ter pronunciado sobre quem deve governar o país.

De facto, é incompreensível que um deputado, seja ele de que partido for, não assuma uma posição sobre a indigitação de um governo que vai estar em funções, em princípio, pelos próximos quatro anos. Tal é um ato perfeitamente demissionário das suas funções, agravado pelo facto de não ser apenas um deputado que se abstém, mas uma força política, dado que não há quaisquer outros representantes parlamentares do PAN.

No PAN houve sempre a intenção de atrair alguma da grande (mas não tão grande quanto se publicita) massa de abstencionistas. Porém, o pressuposto não era dar voz ao abstencionismo, mas sim construir um conjunto de propostas que atraísse o eleitorado mais desencantado com os partidos que já possuíam assento parlamentar – julgo haver aqui alguma confusão.

Não se pode dizer que tenha sido um bom começo. Com tal atitude ficam várias perguntas no ar: E as moções de rejeição? E o orçamento? E todas as decisões relacionadas com a vida política do país, da AR do (futuro) governo? Será que o PAN se vai abster sistematicamente, transformando-se no partido dos votos em branco, votando apenas nos assuntos que ele próprio submeter a discussão na AR?

Foi o pior de todos os começos. Sim, sim sabemos que o PAN, tal como a abstenção, não é de esquerda nem de direita. Mas, é preciso ter cuidado. Querer a agradar a gregos e a troianos, pode levar ao desagrado de ambos.

 

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