Pensatempos

Orlando Figueiredo


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A morte de Klaus

A cerca de dez dias do Natal de 1938, Klaus cai doente. Não consegue articular palavra. Além da tosse, apenas um ocasional gemido rouco foge da sua boca. O seu olhar perdido no vazio denuncia o torpor provocado pela febre escaldante. Mesmo para um leigo, o diagnóstico adivinha-se fácil. O asfixiante inchaço do pescoço, os véus brancos que lhe cobrem as amígdalas e a recusa dos alimentos devido às dores e dificuldades em engolir, são sintomas claros de uma difteria. Existem tratamentos e medicamentos que lhe podem salvar a vida. Uma traqueotomia poderia levar novamente o ar aos seus pulmões. Mas, para isso, Klaus precisa de intervenção médica.

Albert, avô de Klaus, tenta convencer o seu filho a chamar um médico, mas este rejeita a sua sugestão. O divórcio que Albert impôs a Mileva, sua mãe, deixou-lhe um ressentimento capaz de alimentar o prazer mesquinho em o contrariar. Mas, esta está longe de ser a razão por que o pai de Klaus lhe recusa tratamento médico.

Mary Baker – que no final do século XIX na costa este dos estados unidos fundou a Igreja do Cristo Cientista – afirma nos seus escritos que: hoje, como no tempo de Jesus, a cura se faz pela intervenção do Príncipe Divino. Nenhum tratamento médico é necessário ou recomendado. Apenas a oração, através da dissipação da doença e do pecado da consciência humana, pode curar.

Apesar da insistência de Albert, os pais de Klaus recusam pedir a ajuda de um médico. Limitam-se a rezar. Rezam desesperadamente, sem descanso, em busca da intervenção do Príncipe Divino, que não chega.

No dia cinco de janeiro de 1939, a três meses de completar o seu sexto aniversário e sem um médico à cabeceira, morre, de ignorância, estupidez e crendice paterna, Klaus Martin Einstein.


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Como os holandeses conseguiram as suas ciclovias

Quem conhece a Holanda sabe que a bicicleta é um meio de transporte privilegiado. Amesterdão, por exemplo, tem mais bicicletas que habitantes. Contudo, o uso da bicicleta como meio de transporte está longe de ser exclusivo da Holanda. Bruxelas e as cidades belgas flamengas estão equipadas com ciclovias e infraestruturas que convidam ao uso da bicicleta, como meio de transporte privilegiado. Para conhecer Bruxelas, por exemplo, a melhor maneira de o fazer é usando a bicicleta.

Oostende

A foto acima foi tirada a 3 de abril de 2015, perto da estação ferroviária de Oostende (Ostende em francês) – uma pequena vila no extremo nordeste da Bélgica, já perto da província holandesa da Zelândia, cujo nome significa extremo (ende) este (oost) –, e mostra apenas uma das 10 filas de parqueamento para bicicletas ai existente; todas estavam igualmente atafulhadas.

Contudo, pelo menos e Amesterdão, parece que as coisas nem sempre foram assim, e o uso da bicicleta teve os seus maus dias. Veja, no vídeo abaixo, como os holandeses conseguiram as suas ciclovias.


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Diálogos com alunos/as

Ontem, num diálogo:

Aluno/a [13 anos] – Hoje vamos ver outro filme na aula de […].

Orlando [47 anos] – Vocês veem muitos filmes na aula de […], não veem?

A – Sim. Vemos filmes e discutimos coisas que não interessam a ninguém.

O – [a tirar nabos da púcara] – Ai sim?! Então o que discutem?

A – Olhe, estivemos a discutir se as raparigas árabes das escolas belgas devem (ou não) ser proibidas de usar véu.

O [à procura de mais nabos] – Ai sim. E por que achas que isso não tem interesse?

A [já um pouco irritado/a] – Olhe, porque apenas o facto de estarmos a discutir isto é já uma falta de respeito para com essas raparigas. Cada um veste-se e usa o que quer, e ninguém tem nada a ver com isso.

O [com um colo cheio de nabos, um sorriso rasgado de orelha a orelha e a esperança no futuro renovada] – Muito bem. Gostei do que ouvi. Estou inteiramente de acordo contigo.


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Pas Peur! – Not Afraid! – Não Temos Medo!

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O português em dois minutos


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Money Creation and Society – Debate in UK Parliement


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Reportagem sobre a vinda de Denys Rinpoché a Portugal de 24 a 27 de abril de 2014

Denys Rinpoché é um dos principais herdeiros espirituais de Kyabjé Kalou Rinpoché, um dos maiores mestres do budismo tibetano do século XX. A sua dupla formação universitária, em França e de Lama na tradição tibetana, associada a longos retiros ióguicos, fazem dele um ensinante capaz de transmitir os ensinamentos orientais numa perspetiva ocidental atual. Co-fundador da União Budista Europeia, da qual foi presidente durante vários anos, é o Diretor da Comunidade Rimay, o mestre e a fonte dos seus ensinamentos e transmissões. Com inúmeras iniciativas e projetos por todo o mundo, há mais de trinta anos que trabalha em prol dos valores humanos fundamentais, da cooperação inter-tradições e da harmonia ecológica. Transmite, atualmente, os ensinamentos da Consciência plena / Atenção plena, segundo o protocolo MBFT (Mindfulness Based Fondamental Therapy), do qual é fundador e principal ensinante.
Durante a sua estadia em Portugal, em abril útimo, tive oportunidade de colaborar com uma entrevista para o programa Caminhos (RTP 2). Fica aqui a reportagem.

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